{"id":8974,"date":"2019-03-25T11:04:10","date_gmt":"2019-03-25T14:04:10","guid":{"rendered":"http:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/?p=8974"},"modified":"2019-03-25T11:04:10","modified_gmt":"2019-03-25T14:04:10","slug":"governo-quer-diminuir-fatia-do-bb-na-area-de-credito-rural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/bancos\/banco-do-brasil\/governo-quer-diminuir-fatia-do-bb-na-area-de-credito-rural\/","title":{"rendered":"Governo quer diminuir fatia do BB na \u00e1rea de cr\u00e9dito rural"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Por Fabio Graner, Cristiano Zaia e F\u00e1bio Pupo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob orienta\u00e7\u00e3o do ide\u00e1rio liberal do ministro Paulo Guedes, o governo quer reduzir o papel do Banco do Brasil no cr\u00e9dito agr\u00edcola, dando mais espa\u00e7o para bancos privados. A institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica reina como l\u00edder hist\u00f3rica nesse segmento, mantendo uma participa\u00e7\u00e3o de 58% a 60% em m\u00e9dia nas \u00faltimas seis safras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O BB j\u00e1 se prepara para essa nova fase. O banco admite que deve perder participa\u00e7\u00e3o de mercado. Isso j\u00e1 ocorre no segmento subsidiado, mas a orienta\u00e7\u00e3o do governo indica que a redu\u00e7\u00e3o deve se estender ao mercado de taxas livres, embora deixe claro que a perda de participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que a institui\u00e7\u00e3o abandonar\u00e1 a disputa pelos clientes do setor rural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQueremos fazer com o BB o que estamos fazendo com o BNDES \u201c, disse aoValor o secret\u00e1rio especial de Fazenda do Minist\u00e9rio da Economia, Waldery Rodrigues, referindo -se \u00e0 miss\u00e3o dada pelo governo para o BNDES reduzir seu tamanho, abrindo mais espa\u00e7o para atua\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es financeiras privadas e para o mercado de capitais. \u201cA gente precisa de maneira c\u00e9lere priorizar o aumento do cr\u00e9dito privado\u201d, defendeu Rodrigues. \u201cEle [BB] \u00e9 um grande agente no financiamento agr\u00edcola, \u00e1rea que precisa ser retrabalhada. Esse \u00e9 um tema que vamos tratar e com certa brevidade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se claramente de uma mudan\u00e7a de vis\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao papel do sistema banc\u00e1rio no cr\u00e9dito agr\u00edcola. E pode ser lido como o in\u00edcio de um processo de desmonte do BB na \u00e1rea rural, ainda que esse n\u00e3o seja um movimento brusco e imediato, para que as institui\u00e7\u00f5es privadas ganhem terreno. \u201cPrecisamos analisar se n\u00e3o h\u00e1 como agentes privados serem incentivados a entrar nesse mercado\u201d, disse Rodrigues. Ele pondera, no entanto, que o banco p\u00fablico guarda um \u201d componente social importante\u201d, principalmente na fun\u00e7\u00e3o de financiar a agricultura familiar, que n\u00e3o \u00e9 foco dos privados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, admite que o banco deve perder participa\u00e7\u00e3o de mercado. \u201cPodemos at\u00e9 vir a perder share, o que \u00e9 natural para quem tem mais de 60%. Mas continuaremos crescendo no apoio ao setor\u201d, disse Novaes. \u201cA competi\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre bem-vinda. Mais volume de cr\u00e9dito \u00e9 o que mais deseja a Agricultura. E a concorr\u00eancia sentir\u00e1 nossa for\u00e7a no empenho em bem atender ao setor\u201d, completou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A participa\u00e7\u00e3o do BB no mercado de cr\u00e9dito agr\u00edcola j\u00e1 chegou a 61% num passado recente. Hoje, segundo o BC, a institui\u00e7\u00e3o det\u00e9m 57,4% de participa\u00e7\u00e3o, considerando o saldo de sua carteira de agroneg\u00f3cio acumulada nos \u00faltimos 12 meses encerrados em dezembro de 2018, que \u00e9 de R$ 188,7 bilh\u00f5es. Os principais bancos privados (Bradesco, Santander, Ita\u00fa e Rabobank), os dois bancos cooperativos (Sicoob e Sicredi) e os demais p\u00fablicos (Caixa e Banco do Nordeste), juntos, t\u00eam 40%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 poucas safras atr\u00e1s, os bancos privados evitavam atuar com apetite no mercado de cr\u00e9dito rural, pois n\u00e3o enxergavam retorno com essas opera\u00e7\u00f5es. N\u00e3o raro, o BB comprava \u2014 e ainda compra \u2014 carteiras de institui\u00e7\u00f5es privadas que n\u00e3o conseguiam cumprir suas exigibilidades com o cr\u00e9dito rural. Com a pujan\u00e7a do agroneg\u00f3cio brasileiro ao longo das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas e o Brasil sendo al\u00e7ado pela FAO (ag\u00eancia da ONU para agricultura e alimenta\u00e7\u00e3o) como potencial maior fornecedor de alimentos para o mundo, essa rela\u00e7\u00e3o tem diminu\u00eddo e o corte de subs\u00eddios agr\u00edcolas num ambiente mais prop\u00edcio ao mercado privado \u00e9 visto como inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de propor um \u201cdesmame\u201d gradual do cr\u00e9dito rural e brigar pela pauta hist\u00f3rica dos produtores de taxas de juros mais favor\u00e1veis e mais recursos ao agroneg\u00f3cio, o Minist\u00e9rio da Agricultura, agora sob o comando de Tereza Cristina, est\u00e1 mais alinhado com esse pensamento da equipe econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eduardo Sampaio, secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Agr\u00edcola da Pasta, argumenta que o minist\u00e9rio concorda em ampliar a participa\u00e7\u00e3o dos bancos privados no cr\u00e9dito rural, por meio de regras regulat\u00f3rias. E lembra, inclusive, que a pasta tem estudado mecanismos para atrair institui\u00e7\u00f5es financeiras n\u00e3o-banc\u00e1rias (\u201cfintechs\u201d, por exemplo), para o financiamento agr\u00edcola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA tend\u00eancia, que j\u00e1 est\u00e1 em curso, \u00e9 que o Banco do Brasil diminua sua participa\u00e7\u00e3o no cr\u00e9dito rural\u201d, afirmou Sampaio. Ele refor\u00e7a a prioridade do minist\u00e9rio de aumentar o or\u00e7amento de subven\u00e7\u00e3o ao seguro rural para pelo menos R$ 1 bilh\u00e3o, como adiantou Tereza ao Valor em fevereiro, abrindo espa\u00e7o assim para que os juros do cr\u00e9dito rural pudessem baixar futuramente as taxas das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito rural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No 11\u00ba andar do pr\u00e9dio-sede do BB em Bras\u00edlia, onde fica o departamento de Agroneg\u00f3cios do banco, a ordem \u00e9 conviver com as mudan\u00e7as em curso e se preparar para atuar mais junto a grandes produtores, que operam no segmento de cr\u00e9dito a juros livres, sem deixar de lado o apoio aos pequenos produtores e as regi\u00f5es mais pobres. Na leitura do Banco do Brasil, sua grande capilaridade, que alcan\u00e7a regi\u00f5es produtoras encravadas no interior do pa\u00eds onde os privados devem continuar desinteressados, e sua marca de banco hist\u00f3rico do setor, d\u00e3o natural vantagem competitiva nessa disputa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marco T\u00falio da Costa, diretor de Agroneg\u00f3cios do BB, analisa que a expectativa de aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia ainda em 2019 dever\u00e1 abrir espa\u00e7o para uma nova queda da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), o que por si s\u00f3 criaria um ambiente mais favor\u00e1vel para a queda das taxas de juros dos financiamentos ao agroneg\u00f3cio, at\u00e9 dos abastecidos com recursos livres. Hoje, um financiamento a juros livres no BB varia entre 9,75% e 11% ao ano. \u201c\u00c9 evidente que o Estado quer reduzir o gasto com subs\u00eddios e o cr\u00e9dito rural tem um peso grande nessa conta, mas estamos preparados para isso\u201d, diz o diretor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSeja com recursos controlados ou livres, o BB continuar\u00e1 atuando no agroneg\u00f3cio. Estamos no jogo\u201d, diz o diretor. Costa explica que o banco tem ampliado opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito rural, com base em fontes alternativas, seja captando recursos fora do Brasil, fazendo opera\u00e7\u00f5es na Bolsa de Chicago ou usando t\u00edtulos do agroneg\u00f3cio como CDCA e CRA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O presidente da Comiss\u00e3o Nacional de Pol\u00edtica Agr\u00edcola da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Agricultura (CNA), Jos\u00e9 M\u00e1rio Schreiner, diz que n\u00e3o h\u00e1 problema em reduzir a participa\u00e7\u00e3o do banco na oferta de cr\u00e9dito, desde que se construa isso de maneira gradual e combinada com uma pol\u00edtica de fortalecimento do seguro rural. Um sistema adequado de seguros, para ele, garantiria a entrada de participantes privados de forma mais vigorosa no financiamento aos produtores rurais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele ressalta que, nos Estados Unidos, a subven\u00e7\u00e3o ao seguro rural chega a US$ 8 bilh\u00f5es (mais de R$ 30 bilh\u00f5es), enquanto no Brasil est\u00e1 em R$ 400 milh\u00f5es, menos de 0,5% dos americanos. <\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico \/ CONTEC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"excerpt\">Por Fabio Graner, Cristiano Zaia e F\u00e1bio Pupo Sob orienta\u00e7\u00e3o do ide\u00e1rio liberal do ministro Paulo Guedes, o governo quer reduzir o papel do Banco do Brasil no cr\u00e9dito agr\u00edcola, dando mais espa\u00e7o para bancos privados. 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