{"id":8099,"date":"2018-11-26T10:51:28","date_gmt":"2018-11-26T12:51:28","guid":{"rendered":"http:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/?p=8099"},"modified":"2018-11-26T10:51:28","modified_gmt":"2018-11-26T12:51:28","slug":"mercado-de-trabalho-pode-levar-mais-de-uma-decada-para-retornar-ao-nivel-pre-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/noticias\/mercado-de-trabalho-pode-levar-mais-de-uma-decada-para-retornar-ao-nivel-pre-crise\/","title":{"rendered":"Mercado de trabalho pode levar mais de uma d\u00e9cada para retornar ao n\u00edvel pr\u00e9-crise"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFila do emprego: milhares de pessoas fizeram fila na Pra\u00e7a Rui Barbosa, em Curitiba, em busca de vagas de emprego ofertadas em um mutir\u00e3o de empresas com oportunidades abertas. Marcelo Andrade\/Gazeta do Povo\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ritmo atual, sem um crescimento consistente da economia e do emprego formal, mercado de trabalho pode levar anos para reduzir o desemprego e a informalidade ao n\u00edvel pr\u00e9-crise (C\u00edntia Junges)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase dois anos ap\u00f3s o fim da recess\u00e3o, o mercado de trabalho brasileiro ainda pena para recuperar o desempenho do per\u00edodo pr\u00e9-crise. E tudo indica que isso vai mesmo demorar. O ritmo de fechamento de postos desacelerou em 2017 e o saldo voltou a ficar positivo em 2018, mas esse desempenho est\u00e1 longe de reverter o estrago feito nos dois piores anos da crise, em 2015 e 2016, quando tr\u00eas milh\u00f5es de empregos formais foram fechados. Para piorar, a economia n\u00e3o engrenou e o recuo da taxa de desemprego veio acompanhado do aumento de trabalhadores informais e por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os n\u00fameros d\u00e3o a dimens\u00e3o do problema. Do final de 2014 ao in\u00edcio de 2017, a taxa de desemprego saltou de cerca de 7% para 13,7%. Mesmo hoje, depois de o pior j\u00e1 ter passado, a taxa est\u00e1 em 11,9%. Isso significa que h\u00e1 12,4 milh\u00f5es de brasileiros desempregados, segundo dados do terceiro trimestre de 2018 da Pnad Cont\u00ednua, do IBGE. Antes da crise, por exemplo, o contingente de desocupados somava aproximadamente sete milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O recorte por idade \u00e9 ainda mais dram\u00e1tico. A taxa de desocupa\u00e7\u00e3o entre pessoas aptas a trabalhar que t\u00eam entre 25 e 39 anos \u00e9 de 34,7%, quase tr\u00eas vezes a taxa nacional, de 11,9% no terceiro trimestre de 2018. No grupo dos jovens entre 18 e 24 anos, o \u00edndice \u00e9 de 32,6%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Jo\u00e3o Saboia, professor em\u00e9rito do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o cen\u00e1rio, infelizmente, ainda \u00e9 muito ruim. Estamos vivendo hoje, segundo ele, as consequ\u00eancias de dois anos terr\u00edveis \u2014 2015 e 2016 \u2014 para o mercado de trabalho, com um salto na taxa de desemprego e a destrui\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de empregos formais que vamos levar anos para recuperar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A recess\u00e3o acabou oficialmente no \u00faltimo trimestre de 2016, mas seus efeitos ainda permanecem. Em 2017, a economia parou de cair e o desemprego desacelerou, mas a informalidade que estava em queda antes da crise voltou a crescer com for\u00e7a. Foi um ano perdido para o mercado de trabalho formal, com saldo l\u00edquido negativo de 12 mil vagas com carteira assinada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano de 2018 tamb\u00e9m n\u00e3o entregou o que prometia. Ele chega ao fim com uma pequena melhora no mercado formal, por\u00e9m, longe de significar uma retomada robusta do emprego. A taxa de desemprego caiu de 13,1% para 11,9% entre o primeiro e o terceiro trimestre do ano. Mas a economia n\u00e3o engrenou e a queda da taxa se deu a um custo alt\u00edssimo, que \u00e9 o crescente aumento da informalidade e do trabalho por conta pr\u00f3pria, argumenta Sab\u00f3ia. Al\u00e9m disso, diante da falta de perspectiva de encontrar um emprego, muitas pessoas deixaram de procurar trabalho, contribuindo para \u201cmelhorar\u201d a estat\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, os trabalhadores informais representam 41% do contingente de ocupados do pa\u00eds, ou seja, 38 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o possuem carteira assinada ou CNPJ. O n\u00famero \u00e9 maior do que o estoque de trabalhadores com carteira assinada, que recuou para 33 milh\u00f5es no terceiro trimestre deste ano, segundo dados da Pnad Cont\u00ednua. Para o IBGE, informais s\u00e3o os trabalhadores do setor privado e dom\u00e9sticos sem carteira assinada; empregadores e trabalhadores por conta pr\u00f3pria sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Metade desse contingente de 38 milh\u00f5es de informais \u00e9 composto por brasileiros que trabalham por conta pr\u00f3pria, especialmente em posi\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias da economia. Ao todo, 5,3 milh\u00f5es de pessoas entraram para esta posi\u00e7\u00e3o depois do in\u00edcio da crise, em 2014, e se depararam com condi\u00e7\u00f5es ainda piores. A remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de quem virou conta pr\u00f3pria depois do in\u00edcio da crise, por exemplo, caiu 33% em rela\u00e7\u00e3o ao rendimento dos trabalhadores que estavam h\u00e1 mais tempo nesse tipo de ocupa\u00e7\u00e3o, segundo levantamento do Dieese feito com base nos dados de 2017 da Pnad Cont\u00ednua, do IBGE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rea\u00e7\u00e3o da economia \u00e9 o combust\u00edvel do emprego formal<br \/>\nSomente o crescimento robusto do emprego formal, com a cria\u00e7\u00e3o de postos mais qualificados e com mais prote\u00e7\u00e3o social, \u00e9 capaz de conter o avan\u00e7o da informalidade. Por outro lado, s\u00f3 o crescimento econ\u00f4mico consistente pode dar conta da gera\u00e7\u00e3o de empregos formais em quantidade suficiente para reduzir a taxa de desemprego e a informalidade. Por enquanto, essa n\u00e3o \u00e9 a realidade: o ritmo de contrata\u00e7\u00f5es com carteira assinada tem sido muito lento, compat\u00edvel com a retomada da economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gera\u00e7\u00e3o de vagas formais, medida pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), voltou a ficar positiva em 2018. De janeiro a outubro, foram criadas 790 mil vagas formais, com destaque para os meses de abril, agosto e setembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desempenho parece bom, mas quando se descontam os fatores sazonais, com flutua\u00e7\u00f5es decorrentes de particularidades de cada m\u00eas, o saldo l\u00edquido de 2018 fica pr\u00f3ximo de 300 mil vagas formais, ressalta o economista Marcelo Gazzano, da consultoria ACPastore. Ele lembra ainda que novembro costuma ser um m\u00eas de saldo zero e dezembro, de demiss\u00f5es. Com isso, a proje\u00e7\u00e3o j\u00e1 com o dado dessazonalizado \u00e9 fechar o ano com um saldo l\u00edquido pr\u00f3ximo de 600 mil vagas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse ritmo de gera\u00e7\u00e3o de vagas mensais ajuda a reduzir a taxa de desemprego, por\u00e9m, muito lentamente, explica Gazzano. \u201cPara que a taxa de desemprego fique constante [no atual patamar de 12%], \u00e9 necess\u00e1rio que haja uma cria\u00e7\u00e3o mensal superior a 30 mil vagas. Acima disso reduz a taxa e abaixo, aumenta a taxa de desemprego\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mantido esse ritmo, a taxa de desemprego deve cai algo pr\u00f3ximo de 0,5 ponto porcentual por ano. Ou seja, o mercado de trabalho levaria cerca de 12 anos para voltar a uma taxa de desemprego pr\u00e9-crise, de cerca de 6% em 2014, segundo Gazzano, e recuperar os tr\u00eas milh\u00f5es de empregos formais perdidos durante a crise, entre meados de 2014 e o final de 2016.<br \/>\n\u201cEu n\u00e3o consigo ver como podemos melhorar essa quest\u00e3o [desemprego e informalidade] sem a gera\u00e7\u00e3o de empregos formais. Para que isso ocorra, contudo, n\u00e3o podemos continuar crescendo 1% ao ano se perdemos 7% em 2015 e 2016. \u00c9 muito frustrante. Nesse ritmo, levaremos anos para voltar ao n\u00edvel pr\u00e9-crise\u201d, diz Saboia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os especialistas s\u00e3o un\u00e2nimes: a retomada do mercado de trabalho formal depende da recupera\u00e7\u00e3o da economia. Contudo, os indicadores mostram que ela deve ser lenta. Em 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu pela primeira vez desde 2014, mas apenas 1%. Neste ano, as proje\u00e7\u00f5es iniciais que estimavam um crescimento de at\u00e9 2,5% foram revisadas para algo entre 1% e 1,5%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base nesta tend\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o lenta, a ACPasctore manteve no terceiro trimestre do ano a proje\u00e7\u00e3o de um crescimento do PIB em torno de 1% em 2018 e espera o resultado oficial do PIB do terceiro trimestre deste ano para refazer a proje\u00e7\u00e3o de 2019, inicialmente em 2,5%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ita\u00fa Unibanco revisou a proje\u00e7\u00e3o de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para baixo: de 2018 de 1,7% para 1,3% e de 2,5% para 2%, em 2019. Com isso, o banco reviu, para cima, a taxa de desemprego, chegando a 12,3% no final de 2018 e 12,1% no final de 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retornar ao n\u00edvel pr\u00e9-crise no mercado de trabalho, segundo especialistas, \u00e9 algo que vai demorar. Saboia e Gazzano concordam que a velocidade da recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 ditada pelo desempenho da economia em 2019 e, especialmente pela realiza\u00e7\u00e3o de reformas importantes para devolver a confian\u00e7a a quem pode gerar os empregos formais que o pa\u00eds precisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Gazzano, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a reforma da Previd\u00eancia \u00e9 priorit\u00e1ria. \u201cNosso principal problema \u00e9 fiscal, por isso o ponto de partida precisa ser uma grande reforma na Previd\u00eancia. Trata-se de \u00e1rea em que os gastos continuam a crescer porque a popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 envelhecendo, ent\u00e3o, a \u00fanica sa\u00edda \u00e9 fazer uma reforma\u201d, diz.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Gazeta do Povo \/ CONTEC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"excerpt\">\u201cFila do emprego: milhares de pessoas fizeram fila na Pra\u00e7a Rui Barbosa, em Curitiba, em busca de vagas de emprego ofertadas em um mutir\u00e3o de empresas com oportunidades abertas. 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