{"id":8032,"date":"2018-11-13T11:41:59","date_gmt":"2018-11-13T13:41:59","guid":{"rendered":"http:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/?p=8032"},"modified":"2018-11-13T11:41:59","modified_gmt":"2018-11-13T13:41:59","slug":"enquanto-bancos-tem-lucros-bilionarios-62-dos-brasileiros-estao-endividados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/noticias\/enquanto-bancos-tem-lucros-bilionarios-62-dos-brasileiros-estao-endividados\/","title":{"rendered":"Enquanto bancos t\u00eam lucros bilion\u00e1rios, 62% dos brasileiros est\u00e3o endividados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>S\u00f3 com os juros cobrados, os bancos embolsaram mais de R$ 354 bilh\u00f5es no ano passado; 10,8% da renda anual das fam\u00edlias foram usadas para pagamento de juros<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto 62% dos brasileiros vivem o drama do endividamento e n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de pagar suas contas, os bancos continuam obtendo lucros estratosf\u00e9ricos ano ap\u00f3s ano. A explica\u00e7\u00e3o para este alto endividamento dos brasileiros s\u00e3o os juros m\u00e9dios cobrados de pessoa f\u00edsica que passam de 52% ao ano, chegando a 280% no cart\u00e3o de cr\u00e9dito rotativo e mais de 300% no cheque especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O valor dos juros pagos pelas pessoas f\u00edsicas atingiu em 2017, R$ 354,8 bilh\u00f5es &#8211; 17,9% maior que o registrado em 2016. O total pago corresponde a 372 milh\u00f5es de sal\u00e1rios m\u00ednimos ou 8,5% de todo o consumo das fam\u00edlias brasileiras no ano passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso significa que 10,8% da renda anual das fam\u00edlias brasileiras foram usadas apenas para o pagamento de juros no ano passado, segundo levantamento da Federa\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo do Estado de S\u00e3o Paulo (FecomercioSP).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00e3o recursos que saem dos bolsos das fam\u00edlias e tamb\u00e9m das empresas e do governo diretamente para o caixa do setor financeiro\u201d, diz Gustavo Cavarzan, t\u00e9cnico da subse\u00e7\u00e3o Dieese da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o t\u00e9cnico, \u201co Brasil tem um dos maiores patamares de spread banc\u00e1rio do mundo\u201d. O spread banc\u00e1rio, explica, \u00e9 a diferen\u00e7a entre a taxa que os bancos cobram da popula\u00e7\u00e3o nos empr\u00e9stimos e a taxa que eles pagam para captar nosso dinheiro, como a poupan\u00e7a. \u201cNo Brasil, essa diferen\u00e7a \u00e9 enorme e faz os juros atingirem patamares muito altos, garantindo, assim, o lucro dos bancos mesmo quando a economia n\u00e3o vai bem\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o t\u00e9cnico, os dois fatores que contribuem para essa situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o: a taxa b\u00e1sica de juros real (Selic) da economia brasileira, que est\u00e1 entre as mais altas do mundo, serve de refer\u00eancia para as taxas cobradas pelos bancos; e a enorme concentra\u00e7\u00e3o do mercado banc\u00e1rio no Brasil onde cinco bancos controlam mais de 90% das opera\u00e7\u00f5es e atuam como um oligop\u00f3lio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bancos t\u00eam lucros estratosf\u00e9ricos<\/strong><br \/>\nNo ano passado o lucro l\u00edquido dos cinco maiores bancos (Bradesco, Ita\u00fa, Santander, Caixa e Banco do Brasil) somou R$ 77,4 bilh\u00f5es, 33,5% a mais do que o registrado em 2016, segundo estudo do Dieese. J\u00e1 nos nove primeiros meses deste ano, somente os tr\u00eas maiores bancos privados do pa\u00eds (Bradesco, Ita\u00fa e Santander) obtiveram R$ 44 bilh\u00f5es de lucro &#8211; um crescimento m\u00e9dio de 10,1% em doze meses, de acordo com a Contraf-CUT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cr\u00e9dito rotativo<\/strong><br \/>\nPara tentar reduzir esses n\u00edveis de inadimpl\u00eancia, em abril deste ano, o Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), definiu que o pagamento m\u00ednimo da fatura de cart\u00e3o de cr\u00e9dito passasse a ser estabelecido pelos bancos \u2013 anteriormente era obrigat\u00f3rio pagar 15% do saldo total da fatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Gustavo Cavarzan, a decis\u00e3o do CNM n\u00e3o foi uma medida consistente para reduzir a taxa b\u00e1sica real de juros da economia, nem atacou o grande poder de oligop\u00f3lio dos cinco maiores bancos que atuam no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi uma medida pontual que atua em uma linha de cr\u00e9dito especifica e n\u00e3o ataca nenhum dos problemas estruturais que explicam porque o patamar geral de juros no Brasil \u00e9 t\u00e3o elevado\u201d, afirma o t\u00e9cnico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele aponta que o problema do endividamento \u00e9 que se d\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o pouco favor\u00e1veis de volume, prazo e custo do cr\u00e9dito, que leva parte das pessoas e empresas a inadimpl\u00eancia e outra parte a fazerem um esfor\u00e7o t\u00e3o grande para pagar suas d\u00edvidas que n\u00e3o sobra recursos para consumo e investimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPrecisar\u00edamos combinar pol\u00edticas de renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas atuais em melhores condi\u00e7\u00f5es e \u00e9 poss\u00edvel fazer isso utilizando os bancos p\u00fablicos e pol\u00edticas de enfrentamento aos fatores estruturais que prejudicam as condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito no pa\u00eds\u201d, afirma o t\u00e9cnico do Dieese\/Contraf-CUT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Gustavo, todo esse endividamento pode representar um freio enorme para impulsionar a atividade econ\u00f4mica do pa\u00eds, j\u00e1 que os juros cobrados pelos bancos das pessoas, das empresas e do governo representam uma esp\u00e9cie de ped\u00e1gio que todos pagam ao setor financeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse ped\u00e1gio no Brasil \u00e9 t\u00e3o alto que acaba n\u00e3o sobrando recursos para o resto. Portanto os reflexos na economia s\u00e3o claro e absolutamente negativos do ponto de vista do crescimento econ\u00f4mico, da gera\u00e7\u00e3o de emprego, do aumento da renda\u201d, diz Gustavo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Taxas cobradas pelos bancos pagam sal\u00e1rios de todos os funcion\u00e1rios e ainda sobra dinheiro<br \/>\nAl\u00e9m de pagar juros exorbitantes, os usu\u00e1rios do sistema banc\u00e1rio pagam por tarifas e servi\u00e7os cada vez mais caras. Em 2017, esses dois itens aumentaram 10% na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior, somando R$ 126,4 bilh\u00f5es. Esse valor varia entre 5% e 72% aos gastos com sal\u00e1rios e paga com folga todos os funcion\u00e1rios dos bancos, sem que precisem utilizar suas receitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNos \u00faltimos anos os bancos brasileiros v\u00eam passando por um intenso processo de reestrutura\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o de novas tecnologias e modelos de organiza\u00e7\u00e3o empresarial que reduziram de forma significativa o n\u00famero de trabalhadores nessas institui\u00e7\u00f5es e isso se mostrou uma fonte adicional de lucro para os bancos, atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o ou estagna\u00e7\u00e3o das suas despesas de pessoal e administrativas\u201d, afirma Gustavo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: CUT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"excerpt\">S\u00f3 com os juros cobrados, os bancos embolsaram mais de R$ 354 bilh\u00f5es no ano passado; 10,8% da renda anual das fam\u00edlias foram usadas para pagamento de juros Enquanto 62% dos brasileiros vivem o drama do endividamento e n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de pagar suas contas, os bancos continuam obtendo lucros estratosf\u00e9ricos ano ap\u00f3s ano. 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