{"id":3321,"date":"2018-02-27T21:18:33","date_gmt":"2018-02-28T00:18:33","guid":{"rendered":"http:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/?p=3321"},"modified":"2018-02-27T22:50:22","modified_gmt":"2018-02-28T01:50:22","slug":"nao-adianta-ser-uma-empresa-rica-num-pais-pobre-diz-proximo-presidente-do-bradesco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/noticias\/nao-adianta-ser-uma-empresa-rica-num-pais-pobre-diz-proximo-presidente-do-bradesco\/","title":{"rendered":"\u2018N\u00e3o adianta ser uma empresa rica num pa\u00eds pobre\u2019, diz pr\u00f3ximo presidente do Bradesco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Para Octavio de Lazari Junior, bancos precisam conviver com juros menores<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 12 de mar\u00e7o, o executivo Octavio de Lazari Junior, 54, vai assumir a presid\u00eancia do Bradesco. Com 40 anos de casa, ele diz acreditar que est\u00e1 na hora de os bancos brasileiros aprenderem a conviver com taxas de juros baixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 l\u00f3gico que os bancos t\u00eam um ganho importante com os juros altos, mas n\u00e3o adianta ser uma empresa rica num pa\u00eds pobre\u201d, disse \u00e0 Folha. Lazari afirma que o segredo \u00e9 a escala: se conseguir emprestar para mais brasileiros, o sistema financeiro continuar\u00e1 rent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele j\u00e1 v\u00ea sinais de recupera\u00e7\u00e3o da economia brasileira e diz que o Bradesco \u201cest\u00e1 pronto para emprestar\u201d \u00e0 medida que a demanda por cr\u00e9dito se recuperar. Tamb\u00e9m est\u00e1 otimista sobre a continuidade das reformas, apesar da proximidade das elei\u00e7\u00f5es. \u201cIndependentemente de quem seja o presidente, a agenda para o pa\u00eds \u00e9 igual.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Folha \u2013 O senhor est\u00e1 assumindo o Bradesco ap\u00f3s uma recess\u00e3o intensa, que quebrou empresas e provocou perdas para os bancos. Isso acabou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Octavio de Lazari Junior \u2013 Os \u00faltimos cinco anos foram piores at\u00e9 que a crise de 2008. Grandes empresas sofreram bastante e uma parte das pequenas e m\u00e9dias companhias ficou pelo caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felizmente, n\u00e3o s\u00f3 o Bradesco, mas todo o sistema financeiro, teve musculatura para assimilar essas perdas. Isso foi absorvido pelos balan\u00e7os, e todos est\u00e3o bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas f\u00edsicas tamb\u00e9m foram muito impactadas pelo desemprego, que afetou 14 milh\u00f5es de brasileiros. Resumindo: passamos por um momento cr\u00edtico, mas j\u00e1 acalmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O senhor v\u00ea os sinais de recupera\u00e7\u00e3o da economia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim. No m\u00eas de janeiro, as pessoas voltaram a gastar mais com o cart\u00e3o de d\u00e9bito, que \u00e9 a primeira modalidade que se recupera, e os gastos tamb\u00e9m come\u00e7aram a crescer no cart\u00e3o de cr\u00e9dito. As taxas de juros ca\u00edram para 6,75%, o desemprego parou de crescer, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma evid\u00eancia de alta da infla\u00e7\u00e3o. Tudo isso \u00e9 muito bom num momento de recupera\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os bancos, no entanto, continuam receosos em oferecer mais cr\u00e9dito. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos prontos para emprestar e temos caixa para isso, mas precisa haver demanda. A recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 recente. As pessoas conseguiram emprego, mas ainda t\u00eam medo do que possa acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Projetamos um crescimento entre 4% e 7% do cr\u00e9dito neste ano, o que n\u00e3o \u00e9 exacerbado. Planejamos trabalhar com o patamar mais alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A taxa Selic caiu, mas as taxas cobradas pelos bancos n\u00e3o acompanharam. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os juros v\u00e3o cair. A queda da Selic foi muito r\u00e1pida por causa da recess\u00e3o. Em menos de 12 meses, a taxa saiu de 14,25% para 6,75%. N\u00e3o tenho nenhuma d\u00favida de que vamos ver uma redu\u00e7\u00e3o nos juros do cr\u00e9dito imobili\u00e1rio e de outras modalidades no primeiro trimestre deste ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 l\u00f3gico que os bancos t\u00eam um ganho importante com taxas de juros altas, mas n\u00e3o adianta ser uma empresa rica num pa\u00eds pobre. Temos de aprender a conviver com taxas de juros baixas. \u00c9 importante para o Brasil. O sistema banc\u00e1rio dos pa\u00edses desenvolvidos opera com juros baixos. Os resultados s\u00e3o bons, d\u00e3o retorno aos acionistas. Como eles fazem isso? O segredo \u00e9 ampliar a base da pir\u00e2mide.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos um pa\u00eds de 200 e tantos milh\u00f5es de habitantes. Todo o mundo precisa de cr\u00e9dito para comprar casa, carro, celular. O problema \u00e9 que oferecemos esses produtos para um p\u00fablico pequeno. Se chegarmos a 50% da popula\u00e7\u00e3o em vez de atender apenas 10%, as taxas de juros podem ser menores, porque voc\u00ea ganha na escala. E, com juros menores, mais pessoas v\u00e3o pegar dinheiro emprestado para realizar os seus sonhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O BNDES reduziu presen\u00e7a no financiamento \u00e0 infraestrutura. Os bancos comerciais v\u00e3o finalmente entrar nessa \u00e1rea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tinha como a gente entrar antes. O financiamento da constru\u00e7\u00e3o de portos, aeroportos e outras obras de infraestrutura \u00e9 de longo prazo. Com taxa de juros de 14%, era imposs\u00edvel. Agora poderemos captar dinheiro com os clientes para esse tipo de opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O BNDES vai continuar fazendo o papel dele de financiar a infraestrutura, mas os bancos tamb\u00e9m podem entrar. Vamos buscar dinheiro fora do pa\u00eds, utilizar o caixa do sistema financeiro. Temos riqueza para isso. Basta que as condi\u00e7\u00f5es do mercado permitam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A economia est\u00e1 se recuperando, mas a situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas continua muito ruim. O que vai acontecer com o mercado se a reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o sair neste ano?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos convic\u00e7\u00e3o de que a reforma da Previd\u00eancia \u00e9 necess\u00e1ria. Certamente n\u00e3o ser\u00e1 a reforma dos nossos sonhos, mas o primeiro passo ser\u00e1 dado. Em qualquer lugar do mundo, n\u00e3o d\u00e1 para tomar o rem\u00e9dio todo de uma vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sei que parece contradit\u00f3rio. Est\u00e1 dif\u00edcil aprovar a reforma, mas as Bolsas continuam em alta. A quest\u00e3o \u00e9 que o mercado enxerga que as lideran\u00e7as pol\u00edticas j\u00e1 perceberam que a reforma \u00e9 necess\u00e1ria. Independentemente de quem seja o pr\u00f3ximo presidente, a agenda para o pa\u00eds \u00e9 igual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio eleitoral nunca esteve t\u00e3o indefinido. O senhor espera volatilidade no pre\u00e7o dos ativos at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Veja o que ocorreu nos EUA [na segunda, 5]. Houve uma pequena expectativa de alta da infla\u00e7\u00e3o, e a Bolsa caiu. Acredito at\u00e9 que foi uma realiza\u00e7\u00e3o de lucros, porque havia subido demais. Ou seja, \u00e9 claro que vai ocorrer um pouco de volatilidade no Brasil, mas n\u00e3o t\u00e3o grande como j\u00e1 vimos no passado. A taxa de juros est\u00e1 baixa, a infla\u00e7\u00e3o vem controlada e os pre\u00e7os das commodities permanecem sem grandes varia\u00e7\u00f5es. A transi\u00e7\u00e3o deve ser mais tranquila.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual ser\u00e1 o seu maior desafio \u00e0 frente do Bradesco?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuar o legado do seu Aguiar [Amador Aguiar], do Brand\u00e3o [L\u00e1zaro Brand\u00e3o], do Trabuco [Luiz Carlos Trabuco Cappi]. Manter o time unido e as unidades de neg\u00f3cio focadas na entrega de resultado para os acionistas. Esse \u00e9 o desafio que re\u00fane todo o nosso compromisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas temos tamb\u00e9m os desafios do dia a dia. Um deles \u00e9 aumentar a proximidade com o cliente e perenizar o relacionamento com o banco e todas as suas empresas \u2013cart\u00f5es, varejo, alta renda, seguradora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo: compramos o HSBC e fizemos um trabalho muito bom de sinergia de despesas, para o qual \u00e9 necess\u00e1rio determina\u00e7\u00e3o. J\u00e1 para obter sinergia de receita \u00e9 preciso ter talento para trazer os clientes para a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro grande desafio \u00e9 trabalhar as quatro gera\u00e7\u00f5es de clientes \u2013boomers (mais de 70 anos), baby boomers (50 a 70 anos), millennials (30 a 50 anos) e gera\u00e7\u00e3o Z (menos de 30 anos). A tecnologia \u00e9 extremamente importante para atender os clientes pelo celular e pelo computador, mas n\u00e3o podemos esquecer aqueles que precisam de atendimento mais personalizado. O banco n\u00e3o \u00e9 um lugar em que o cliente compra um produto e vai embora. \u00c9 um lugar de relacionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tecnologia promoveu o surgimento de fintechs [empresa financeiras digitais]. Elas s\u00e3o uma amea\u00e7a para os bancos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem muitos empreendedores no mundo, que t\u00eam uma boa ideia e conseguem p\u00fablico para os seus produtos. Em vez de se preocupar em criar barreiras ou muros para a continuidade dessas empresas, temos de construir pontes. \u00c9 inexor\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos trazendo as fintechs e venture capital [investimento em empreendedorismo] para desenvolver produtos em parceria com o banco. \u00c9 um ambiente de ebuli\u00e7\u00e3o. O banco vai se aproveitar \u2013no bom sentido\u2013 desse conv\u00edvio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para crescer nessa \u00e1rea, o Ita\u00fa adquiriu a XP. Existe outra XP para ser comprada hoje no mercado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o. A XP \u00e9 uma ideia fabulosa, que ocupou um espa\u00e7o no mercado que talvez a gente n\u00e3o soube aproveitar naquele momento. Mas temos como desenvolver isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9 a XP? \u00c9 uma plataforma aberta na qual voc\u00ea pode fazer investimentos em v\u00e1rios pap\u00e9is de diferentes emissores. O banco pode fazer isso? Sim, pode. E at\u00e9 j\u00e1 implementamos isso no segmento private e na alta renda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 preciso rigor para selecionar produtos e servi\u00e7os de terceiros. Quando um cliente compra um produto dentro do Bradesco, est\u00e1 adquirindo a nossa chancela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual o cen\u00e1rio para criptomoedas? Podem realmente revolucionar o setor financeiro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que vai ter mercado para criptomoedas, bitcoins, mas n\u00e3o a ponto de substituir o que existe hoje. \u00c9 um nicho. Aposto mais no crescimento do mercado de certificado de receb\u00edveis imobili\u00e1rios, de letras financeiras imobili\u00e1rias, certificados de recebimento do agroneg\u00f3cio. Tudo isso \u00e9 tang\u00edvel. O Brasil ainda precisa financiar muita coisa na economia real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n&gt; Economista pela Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e Administrativa de Osasco<br \/>\n&gt; Especializa\u00e7\u00e3o em marketing e finan\u00e7as pela FIA, pela Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral e pela Iese<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carreira<\/strong><br \/>\nEntrou no Bradesco em 1978<br \/>\nFoi executivo e diretor de varejo, alta renda, cr\u00e9dito, financiamento, cons\u00f3rcio &gt; Mesmo assumindo a presid\u00eancia, fica no comando da Bradesco Seguros<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha.com \/ CONTEC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"excerpt\">Para Octavio de Lazari Junior, bancos precisam conviver com juros menores No dia 12 de mar\u00e7o, o executivo Octavio de Lazari Junior, 54, vai assumir a presid\u00eancia do Bradesco. 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