{"id":3045,"date":"2018-02-11T18:18:54","date_gmt":"2018-02-11T20:18:54","guid":{"rendered":"http:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/?p=3045"},"modified":"2018-02-11T18:19:23","modified_gmt":"2018-02-11T20:19:23","slug":"entrevista-com-o-presidente-do-santander-sergio-rial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/bancos\/santander\/entrevista-com-o-presidente-do-santander-sergio-rial\/","title":{"rendered":"Entrevista com o presidente do Santander, S\u00e9rgio Rial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Na semana em que o Santander deu de presente a S\u00e3o Paulo uma nova op\u00e7\u00e3o de cultura e lazer no centro da cidade \u2013 o Farol Santander, no antigo Banestado \u2013, seu presidente, Sergio Rial, resume a inaugura\u00e7\u00e3o e o clima que se vive no Pa\u00eds numa ideia \u00fanica: olhar para o futuro. No momento em que o Brasil experimenta \u201cum grave desequil\u00edbrio fiscal\u201d, o grande \u00edcone da capital revive \u201co arrojo, a pujan\u00e7a, a simbologia do ousar\u201d. O Farol inaugurado no dia do anivers\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, diz ele, vem \u201cnum contexto de luz, de iluminar e tirar os obst\u00e1culos\u201d que pairam \u00e0 nossa volta. Para a cidade, ele traduz \u201cum proativismo maior, no sentido de que o centro seja absolutamente habit\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram dois anos de trabalho detalhado, renovando um a um os 35 andares \u2013 e enfim o velho \u201cBanco do Estado\u201d passa a pertencer aos paulistanos. Feliz com o feito, o executivo vai contando as novidades \u2013 entre elas uma enorme pista de skate, uma horta vertical, o mirante sofisticado, pain\u00e9is gigantes produzidos por Vik Muniz, um \u201candar das ideias\u201d\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logicamente, Rial tamb\u00e9m olha para fora do pr\u00e9dio e, nesta conversa com a coluna, analisa poss\u00edveis caminhos de um Pa\u00eds \u201cafundado no desequil\u00edbrio das contas\u201d. A sa\u00edda? Ele defende \u201ca persegui\u00e7\u00e3o absoluta do equil\u00edbrio fiscal e de um Estado capaz de se autofinanciar\u201d. E adverte: \u201cEstamos ainda na transi\u00e7\u00e3o de um Estado tutelar para um Estado indutor\u201d. Trata-se de abrir caminho \u201cao potencial que existe em cada um dos 200 milh\u00f5es de brasileiros\u201d. A seguir, os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00ea viu essa movimenta\u00e7\u00e3o vai e volta do governo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cregra de ouro\u201d? O investidor estrangeiro, o Santander l\u00e1 fora, leu isso de que maneira?<br \/>\nO desequil\u00edbrio fiscal do Brasil \u00e9 muito grande. Mas maior que isso, \u00e9 a quest\u00e3o do redesenho estrutural do setor p\u00fablico. N\u00e3o \u00e9 a elimina\u00e7\u00e3o do Estado, mas sim um Estado diferente, redesenhado, com estrutura e n\u00edveis de produtividade diferentes do que vimos at\u00e9 agora. De certo modo, essa discuss\u00e3o do ouro, n\u00e3o ouro, representa um pouco essa quest\u00e3o de redesenhar. E de um Brasil ainda tentando achar caminhos de busca desse equil\u00edbrio fiscal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso d\u00e1 inseguran\u00e7a?<\/strong><br \/>\nAcho que n\u00e3o\u2026 Esse processo de redesenho das estruturas p\u00fablicas n\u00e3o \u00e9 um problema brasileiro, estamos vendo isso ocorrer nos Estados Unidos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2026com a reforma fiscal.<br \/>\nExatamente. Acabamos de ver uma grande reforma tribut\u00e1ria nos EUA, que vai provocar o qu\u00ea? O colapso de uma s\u00e9rie de investimentos e de estruturas, muitas delas importantes. Da\u00ed tem de haver preocupa\u00e7\u00e3o com o social, pois muita coisa talvez a sociedade n\u00e3o esteja disposta a pagar. A gente tem de lembrar que quem paga o Estado somos todos n\u00f3s, os contribuintes. E eles t\u00eam de estar pelo menos alinhados com o que est\u00e1 sendo feito com seu dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente eu perguntei a um economista se pode haver uma \u201ccerteza\u201d de que a gente n\u00e3o volta mais atr\u00e1s, n\u00e3o reaparece a tal \u201cagenda desenvolvimentista\u201d, uma \u201cnova matriz econ\u00f4mica\u201d. Temos essa garantia?<\/strong><br \/>\nZero garantia. As sociedades s\u00e3o pendulares. O avan\u00e7o \u00e9 sempre tipo dois passos \u00e0 frente, um para tr\u00e1s \u2013 o contr\u00e1rio poderia significar que abrimos m\u00e3o do modelo democr\u00e1tico. O modelo democr\u00e1tico traz for\u00e7as pol\u00edticas em momentos diferentes, que levam a sociedade a votar, pensar e escolher agendas distintas. N\u00e3o seremos os mesmos em 2022, a agenda do Pa\u00eds vai ser outra. O que n\u00e3o deve mudar \u00e9 a persegui\u00e7\u00e3o absoluta do equil\u00edbrio fiscal e de um Estado capaz de se financiar e dar \u00e0 sociedade aquilo que ela quer. A voca\u00e7\u00e3o de quem vai para a atividade p\u00fablica \u00e9 eminentemente a de servir, e com o mesmo n\u00edvel de efici\u00eancia que se v\u00ea no setor privado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O modelo desenvolvimentista n\u00e3o cabe mais dentro das contas do Estado. O Brasil quebrou. Ser\u00e1 que isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para garantir que n\u00e3o voltamos mais para tr\u00e1s?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito dif\u00edcil simular garantias, pois a sociedade \u00e9 plural em sua ess\u00eancia. O que me parece a leitura de uma agenda brasileira hoje \u00e9 menos subs\u00eddio, menos Estado, menos cruzamento de subs\u00eddios. N\u00e3o estou advogando a teoria de que tudo se resolve a partir do mercado. Acho essa uma vis\u00e3o rom\u00e2ntica, como rom\u00e2ntica \u00e9 tamb\u00e9m a ideia de que o Estado \u00e9 o \u00fanico propulsor do desenvolvimento. S\u00e3o as duas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018PENSAR QUE O<br \/>\nBNDES N\u00c3O TEM PAPEL<br \/>\n\u00c9 PENSAR PEQUENO\u2019<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Definir, por exemplo, o papel do BNDES \u00e9 importante, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPensar que o BNDES n\u00e3o tem um papel no desenvolvimento do Pa\u00eds \u00e9 pensar pequeno e pensar que ele s\u00f3 tem esse papel tamb\u00e9m \u00e9. O Brasil vai ter de aprender a lidar com dualidades que parecem opostas mas s\u00e3o parte de qualquer contradit\u00f3rio social. Mas espero, como brasileiro, que o \u201cS\u201d seja muito maior do que o \u201cE\u201d nos pr\u00f3ximos dois anos. O setor privado vai ter um papel, mas n\u00e3o ser\u00e1 \u201co\u201d papel. E o \u201cE\u201d vai existir em projetos de 30, 40 anos. Dando um exemplo concreto, pa\u00eds desenvolvido n\u00e3o \u00e9 o que tem aeroporto novo, \u00e9 o que tem aeroporto novo e saneamento b\u00e1sico resolvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que n\u00e3o h\u00e1 avan\u00e7o em saneamento b\u00e1sico?<\/strong><br \/>\nPorque, entre outras coisas, os marcos que regem a quest\u00e3o do saneamento, no Brasil, s\u00e3o municipais. A\u00ed, cada munic\u00edpio acaba fazendo o que quer nesse assunto. Est\u00e1 aqui um engodo que poderia ser resolvido numa discuss\u00e3o estrutural, n\u00e3o impositiva, de um \u201cmarco inteligente do saneamento\u201d, em que os munic\u00edpios mantenham um papel fundamental mas com 60% de um marco que regeria todo o Pa\u00eds, algum tipo de customiza\u00e7\u00e3o. Porque, obviamente, S\u00e3o Paulo \u00e9 diferente de um pequeno munic\u00edpio do interior do Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 existe algum projeto assim?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1. Esse \u00e9 um exemplo concreto do \u201cS\u201d em que as empresas poderiam ter todo o interesse, numa \u00e1rea como o saneamento, num pa\u00eds com uma agenda t\u00e3o bacana de sustentabilidade de energia renov\u00e1vel. A gente aqui fala em etanol e n\u00e3o fala em saneamento, fala em Amaz\u00f4nia e n\u00e3o fala em rios polu\u00eddos\u2026 S\u00e3o inconsist\u00eancias que a sociedade tem de enfrentar. A gente se perde muito nessa discuss\u00e3o filos\u00f3fica entre o desenvolvimentista ou o mercado, \u00e9 preciso trazer a agenda para assuntos b\u00e1sicos do dia a dia das pessoas. Viver com rios polu\u00eddos em S\u00e3o Paulo, a cidade mais rica do Pa\u00eds, \u00e9 no m\u00ednimo inaceit\u00e1vel. E n\u00f3s temos em S\u00e3o Paulo o benef\u00edcio de uma grande empresa de saneamento, mas \u00e9 a \u00fanica, ou uma entre muito poucas. E temos ainda a resist\u00eancia de alguns Estados e munic\u00edpios a privatizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O MUNDO EST\u00c1 INUNDADO<br \/>\nDE LIQUIDEZ E O<br \/>\nBRASIL EST\u00c1 PERDENDO\u2026\u2019<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O governo n\u00e3o tem mais dinheiro, quem vai construir este Pa\u00eds \u00e9 a iniciativa privada. Como voc\u00ea v\u00ea isso?<\/strong><br \/>\nVejo de uma forma bastante otimista, mas n\u00e3o com a aus\u00eancia do Estado. Vejo um papel regulat\u00f3rio em alguns momentos, um indutor. A quest\u00e3o do marco regulat\u00f3rio do saneamento \u00e9 um papel indutor. Veja o que vem acontecendo na energia, voltamos a um ordenamento mais previs\u00edvel. Est\u00e3o a\u00ed os leil\u00f5es, com melhor arrecada\u00e7\u00e3o para o governo. Estamos vendo a liberaliza\u00e7\u00e3o do setor petroleiro\u2026 O mundo est\u00e1 inundado de liquidez, e o Brasil est\u00e1 perdendo\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O mundo est\u00e1 at\u00e9 afogado em liquidez, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nSim, e o Brasil perdendo continuamente uma grande oportunidade de se tornar um mercado ainda mais atraente. O que j\u00e1 somos, com US$ 70 bilh\u00f5es em investimento direto, mas podemos ser muito mais. No setor privado, vamos pegar o banco. A Selic a 7% ao ano posiciona os bancos de forma muito melhor para serem parte da solu\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o, como at\u00e9 aqui, para estarem ausentes da solu\u00e7\u00e3o. Porque \u00e9 imposs\u00edvel voc\u00ea viabilizar qualquer projeto quando a Selic est\u00e1 em 14%. A conta n\u00e3o fecha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pode explicar melhor?<\/strong><br \/>\nVeja o cr\u00e9dito rural. O que acontecia com ele com a Selic a 14% ao ano? Ele era subsidiado a 9% ou 10%. Com a Selic a 7%, isso deixa de fazer sentido. E os bancos privados podem agora fazer parte do processo de financiamento da agricultura, no qual at\u00e9 ent\u00e3o era imposs\u00edvel competir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse caso espec\u00edfico, uma quest\u00e3o de taxa de juros.<br \/>\nSim, juros. Acho que come\u00e7a a acontecer um movimento de mexida no compuls\u00f3rio, que \u00e9 a desconstru\u00e7\u00e3o das assimetrias do sistema financeiro. Temos de acabar com essas assimetrias para que o sistema financeiro do Pa\u00eds possa competir. N\u00e3o se trata de criar situa\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o, seja para bancos p\u00fablicos ou privados. Os p\u00fablicos s\u00e3o extraordinariamente competitivos e eficientes, n\u00e3o deveria haver qualquer tipo de prote\u00e7\u00e3o. Os cinco grandes deveriam estar competindo pari passu em todos os produtos, sem diferencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E n\u00f3s estamos nesse caminho?<\/strong><br \/>\nAcho que sim, mas de forma lenta. Por exemplo, a decis\u00e3o do governo de liberar os recursos do Fundo de Garantia das contas inativas foi um grande momento em que se reverteu ao indiv\u00edduo o poder de aloca\u00e7\u00e3o dos recursos. Parte da recupera\u00e7\u00e3o do varejo, no ano passado, n\u00e3o decorreu de nenhum subs\u00eddio a juros, nenhum casu\u00edsmo. Simplesmente se devolveu o dinheiro aos agentes financeiros, que na m\u00e9dia o alocam infinitamente melhor do que qualquer ente centralizador. O retorno desses bilh\u00f5es de reais aos indiv\u00edduos\u2026 por que n\u00e3o levar isso a uma propor\u00e7\u00e3o maior ainda? Por que n\u00e3o dar a cada cidad\u00e3o o direito de gerir, ele mesmo, o seu recurso de FGTS?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O BANCO PASSAR\u00c1 A SER<br \/>\nUM GRANDE GESTOR DE<br \/>\nINFORMA\u00c7\u00c3O AO CONSUMIDOR\u2019<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O mundo caminha rumo \u00e0 desintermedia\u00e7\u00e3o financeira. Como os bancos de varejo v\u00e3o sobreviver?<\/strong><br \/>\nO banco deixa de ser o que eu chamaria de um instrumento cl\u00e1ssico, gestor de recursos e capital, e passa a ser um grande gestor de informa\u00e7\u00e3o ao consumidor. Quando voc\u00ea para pra pensar, a informa\u00e7\u00e3o de um cliente, ele espera que o banco a trate com confiabilidade, com toda prote\u00e7\u00e3o, para ele dormir tranquilo. Essa \u00e9 uma tend\u00eancia inexor\u00e1vel, n\u00e3o vai mudar. Pense no FGTS, por que eu preciso do paternalismo p\u00fablico pra gerir um recurso que \u00e9 meu, pago por mim e pela empresa onde trabalho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Me responda\u2026<br \/>\nPorque estamos ainda numa transi\u00e7\u00e3o do Estado tutelar para um Estado indutor, empreendedor, em que esse empreendedorismo atua a partir da energia do indiv\u00edduo, e n\u00e3o da gest\u00e3o centralizadora do Estado. Trata-se, ent\u00e3o, de passar do Estado tutelar para o indutor o potencial que existe em cada um dos 200 milh\u00f5es de brasileiros. S\u00e3o 200 milh\u00f5es de pessoas que seguem acreditando na capacidade de cria\u00e7\u00e3o de valor, apesar de um Estado tutelar a nos ditar todos os dias o que podemos e n\u00e3o podemos fazer \u2013 e mais ainda, como podemos fazer. E esse Estado n\u00e3o \u00e9 o reflexo de um poder, \u00e9 o desenho dos Tr\u00eas Poderes que acabam criando essa tutela exacerbada, asfixiante, do poder empreendedor de cada brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com essa tend\u00eancia de desintermedia\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia, como fica o sigilo fiscal?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 uma quest\u00e3o de cunho legal que os bancos continuar\u00e3o protegendo. N\u00e3o nos enganemos, num mundo em que a tecnologia prevalece em absolutamente tudo, com c\u00e2meras por toda parte, eu sempre digo: o melhor \u00e9 n\u00e3o ter nada pra esconder. A tend\u00eancia \u00e9 n\u00e3o ter o que esconder. Embarcamos em um mundo em que a transpar\u00eancia vai ser, infelizmente, invasiva. E cabe a cada um de n\u00f3s certificar-se de que n\u00e3o h\u00e1 nada a esconder. Hoje os nossos dados j\u00e1 est\u00e3o em poder de tr\u00eas grandes plataformas tecnol\u00f3gicas que sabem tudo o que fazemos, onde compramos, aonde vamos, que t\u00e1xi pegamos, a que horas estamos na academia\u2026 Esse \u00e9 o in\u00edcio de um processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea v\u00ea a atua\u00e7\u00e3o do banco nesse processo?<\/strong><br \/>\nEu acho, e tenho dito isso de uma forma contundente dentro do banco, que o digital \u00e9 extraordin\u00e1rio. O grande desafio que vejo hoje nos bancos \u00e9 a excessiva industrializa\u00e7\u00e3o, matando o componente humano. Porque n\u00e3o h\u00e1 nada pior do que voc\u00ea fazer uma reserva pela internet, descobrir que se enganou e n\u00e3o saber como desfazer. Ou ent\u00e3o voc\u00ea viajando tem um problema com cart\u00e3o de cr\u00e9dito e n\u00e3o est\u00e1 seguro de que, digitalmente ou atrav\u00e9s de algum contato, vai resolver rapidamente. Os bancos t\u00eam de come\u00e7ar a pensar que o processo resolutivo passa a ser cada dia mais importante na vida do consumidor. \u00c9 isso: no banco estamos passando por uma migra\u00e7\u00e3o. Do que era chamado cliente, que era tratado como um legado, para o consumidor, que vota todos os dias se quer permanecer nesse banco ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018O QUE EU MAIS TEMO<br \/>\n\u00c9 QUE TENHAMOS<br \/>\nUM DEBATE POBRE\u2019<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quanto \u00e0 pol\u00edtica? Como voc\u00ea v\u00ea o quadro pol\u00edtico? Tem gente com medo de que uma divis\u00e3o do chamado centro \u2013 entre Meirelles, Rodrigo Maia e Alckmin \u2013 aumente a chance de algu\u00e9m dos extremos se saia bem na hist\u00f3ria. Voc\u00ea tem essa preocupa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, por uma quest\u00e3o emp\u00edrica. Se olharmos o processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o, desde 1985, e olharmos todas as elei\u00e7\u00f5es, inclusive dos candidatos que perderam nesse per\u00edodo, veremos que a sociedade votou em todos com sua agenda daquele momento. Ou seja, de certa forma a sociedade vai em busca de candidatos que v\u00e3o resolver ou encaminhar os problemas daquele momento. O que eu mais temo \u00e9 que tenhamos um debate pobre, acho que o Brasil tem uma grande oportunidade de discutir algumas coisas de m\u00e9dio prazo. Basta olhar o que aconteceu na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o. A (falta de) qualidade do debate foi uma das raz\u00f5es pelas quais o Pa\u00eds n\u00e3o foi capaz de se dar conta de que j\u00e1 era o momento da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teremos a\u00ed tr\u00eas, quatro candidatos, com agenda parecida.<br \/>\nAcho que n\u00f3s temos primeiro o benef\u00edcio do segundo turno. De certa forma, ele protege a na\u00e7\u00e3o de casu\u00edsmos e poss\u00edveis divis\u00f5es. Ele n\u00e3o blinda, mas protege. For\u00e7a uma nova discuss\u00e3o dos candidatos. Acho que, independentemente de centro, ou n\u00e3o centro, e aqui falo n\u00e3o como presidente do Santander, mas como eleitor brasileiro, tem de vir algu\u00e9m absolutamente reformista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um her\u00f3i?<\/strong><br \/>\nHer\u00f3i, n\u00e3o. Mas com a capacidade e coragem de inspirar n\u00e3o ufanismo, nem ser estridente, mas no sentido de trazer os fatos para o redesenho. Para o relan\u00e7amento de um setor p\u00fablico vibrante, de alta qualidade, bem remunerado, e que tenha por papel ser o indutor do empreendedor brasileiro. Para olharmos um novo desenho tribut\u00e1rio do Pa\u00eds, como est\u00e3o olhando os pa\u00edses desenvolvidos. Imagine a Dinamarca com imposto de renda de 20% sobre as empresas? E agora os Estados Unidos, com 21%. A\u00ed estaremos devolvendo \u00e0 sociedade um poder de investimento\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E de responsabilidade.<br \/>\nSim, de responsabilidade. No final, n\u00e3o \u00e9 eliminar o Estado, mas termos um Estado que olha e diz \u201cmuitas dessas coisas eu deixarei de fazer, mas continuarei sendo\u2026\u201d Esse \u00e9 o Estado indutor que vai gerar emprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"excerpt\">Na semana em que o Santander deu de presente a S\u00e3o Paulo uma nova op\u00e7\u00e3o de cultura e lazer no centro da cidade \u2013 o Farol Santander, no antigo Banestado \u2013, seu presidente, Sergio Rial, resume a inaugura\u00e7\u00e3o e o clima que se vive no Pa\u00eds numa ideia \u00fanica: olhar para o futuro. 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