{"id":10832,"date":"2019-09-27T11:54:36","date_gmt":"2019-09-27T14:54:36","guid":{"rendered":"http:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/?p=10832"},"modified":"2019-09-27T11:54:36","modified_gmt":"2019-09-27T14:54:36","slug":"como-os-bancos-ganham-dinheiro-com-os-juros-baixos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/noticias\/como-os-bancos-ganham-dinheiro-com-os-juros-baixos\/","title":{"rendered":"Como os bancos ganham dinheiro com os juros baixos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A taxa b\u00e1sica de juros, a Selic, caiu ao menor n\u00edvel da hist\u00f3ria na semana passada \u2013 \u00e9 agora de 5,5% ao ano. E deve cair mais, podendo fechar 2019 abaixo de 5%. Temos hoje a menor taxa real de juros desde o in\u00edcio do Plano Real, pelo menos. \u00c9 uma redu\u00e7\u00e3o suficiente para provar que n\u00e3o \u00e9 da Selic alta que vivem os bancos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muita gente dizia que o Brasil era o \u201cpara\u00edso dos rentistas\u201d por causa dos juros altos e que os bancos aqui lucravam com uma esp\u00e9cie de benesse estatal via taxa Selic. Se fosse verdade, ver\u00edamos os investidores correndo das a\u00e7\u00f5es dessas empresas. Isso n\u00e3o ocorreu e, mesmo em um cen\u00e1rio de juros em queda, os pap\u00e9is dos maiores bancos est\u00e3o sendo negociadas em n\u00edveis pr\u00f3ximos da m\u00e1xima dos \u00faltimos cinco anos \u2013 o lucro das maiores institui\u00e7\u00f5es cresceu 21% no primeiro semestre deste ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais interessante ainda \u00e9 o fato de que possivelmente os bancos consigam ganhar mais dinheiro com os juros baixos. Afinal, a taxa Selic baliza o pre\u00e7o da capta\u00e7\u00e3o de recursos no mercado. Quanto mais baixa, menor o custo inicial para o sistema financeiro. Os juros menores tamb\u00e9m est\u00e3o atrelados a uma menor inadimpl\u00eancia, j\u00e1 que no fim as parcelas dos financiamentos tamb\u00e9m s\u00e3o menores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bancos ganham dinheiro com uma combina\u00e7\u00e3o de intermedia\u00e7\u00e3o financeira e tarifas, basicamente. O neg\u00f3cio deles n\u00e3o \u00e9 emprestar para o governo, embora a remunera\u00e7\u00e3o via t\u00edtulos p\u00fablicos fa\u00e7a parte de seu portf\u00f3lio. Mas o cora\u00e7\u00e3o do trabalho banc\u00e1rio \u00e9 outro: captar recursos para fazer empr\u00e9stimos para quem precisa e gerir os investimentos de seus clientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir disso, podemos deduzir que o lucro de uma institui\u00e7\u00e3o s\u00f3 cai quando h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o geral da diferen\u00e7a entre custo de capta\u00e7\u00e3o e juros dos empr\u00e9stimos; ou quando as tarifas banc\u00e1rias s\u00e3o reduzidas (tanto da manuten\u00e7\u00e3o de contas quanto a da gest\u00e3o de recursos, como fundos de investimento). Nos dois casos, o que importa \u00e9 a competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O spread banc\u00e1rio, que mede a diferen\u00e7a entre custo de capta\u00e7\u00e3o e juros de empr\u00e9stimos, se mexeu pouco nesse ciclo de afrouxamento monet\u00e1rio. Segundo dados do Banco Central, o spread para empr\u00e9stimos com recursos livres \u00e9 de 31,4 pontos percentuais. Alto ainda quando comparamos com os 20,9 pontos percentuais de junho de 2013, pouco antes de come\u00e7ar a recess\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, ali\u00e1s, fez com que os bancos tivessem de aumentar bastante os spreads para compensar a alta na inadimpl\u00eancia. O ponto mais alto dos \u00faltimos anos foi em fevereiro de 2017, de 43,3 pontos percentuais. Al\u00e9m da taxa b\u00e1sica de juros, comp\u00f5em o spread custos tribut\u00e1rios, operacionais e, claro, a margem das institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As tarifas, outra fonte importante de receitas, v\u00eam sendo reajustadas com frequ\u00eancia pelos bancos. Um levantamento recente do Idec, um instituto de defesa do consumidor, constatou uma corre\u00e7\u00e3o de 14% nas tarifas de servi\u00e7os banc\u00e1rios entre 2017 e 2019, o dobro da infla\u00e7\u00e3o. Segundo o Banco Central, houve um crescimento de 20% nas receitas com tarifas banc\u00e1rias de 2016 a 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem tamb\u00e9m taxas cobradas para a gest\u00e3o do patrim\u00f4nio, como fundos (renda fixa, cambiais etc.), que tamb\u00e9m n\u00e3o sofrem com a queda dos juros. Investidores com pouco dinheiro pagam taxas de administra\u00e7\u00e3o de 2%, em m\u00e9dia, nos fundos mais simples. Embora a taxa para investidores com mais recursos tenham ca\u00eddo nos \u00faltimos anos, elas raramente ficam abaixo de 0,5% do patrim\u00f4nio por ano. Como a procura por fundos de gest\u00e3o ativa (normalmente mais caros) tende a crescer com os juros menores, h\u00e1 uma oportunidade de crescimento para as institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntos, esses fatores explicam por que era errada a afirma\u00e7\u00e3o, comum no debate pol\u00edtico, de que o Banco Central mantinha os juros altos para beneficiar o setor banc\u00e1rio \u2013 argumento, inclusive, que barrou por muito tempo a discuss\u00e3o sobre autonomia do BC. A Selic era alta por causa da combina\u00e7\u00e3o de risco-pa\u00eds, fragilidade nas contas p\u00fablicas, distor\u00e7\u00e3o no mercado de cr\u00e9dito e heran\u00e7a da indexa\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria. Muitos desses problemas persistem, mas ficaram menos importantes no cen\u00e1rio de recess\u00e3o profunda e juros negativos no mundo rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Setor precisa ganhar efici\u00eancia<br \/>\nSe n\u00e3o \u00e9 verdade que h\u00e1 um conluio entre bancos e BC, o mesmo n\u00e3o se pode dizer sobre a efici\u00eancia do setor banc\u00e1rio. Aqui, existe um debate aberto sobre competi\u00e7\u00e3o que est\u00e1 longe de ser resolvido. O consumidor brasileiro, mesmo com a queda da Selic, paga juros altos nos produtos de cr\u00e9dito. O Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) vem levantando h\u00e1 alguns anos a necessidade de uma reforma no setor banc\u00e1rio brasileiro para aumentar a competi\u00e7\u00e3o. Um dos argumentos aqui \u00e9 que cinco grandes bancos concentram mais de 80% do mercado de cr\u00e9dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um relat\u00f3rio do FMI do ano passado chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de a margem l\u00edquida de juros no mercado brasileiro estar entre as mais altas em um grupo de 15 pa\u00edses emergentes, resultado de v\u00e1rios fatores, como o fato de haver cr\u00e9dito direcionado e a concentra\u00e7\u00e3o de produtos de cr\u00e9dito em cinco institui\u00e7\u00f5es. \u201cOs custos de intermedia\u00e7\u00e3o no Brasil excede os de pa\u00edses semelhantes, com custos operacionais e inadimpl\u00eancia sendo os principais determinantes\u201d, diz o FMI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Banco Central fez um estudo no ano passado no qual defende que h\u00e1 fatores mais importantes do que concentra\u00e7\u00e3o e concorr\u00eancia na determina\u00e7\u00e3o do spread, embora esse seja um ponto que possa ser melhorado. Para os autores, \u00e9 preciso trabalhar na redu\u00e7\u00e3o da inadimpl\u00eancia, aumentar a capacidade de recupera\u00e7\u00e3o de garantias e melhorar o acesso a informa\u00e7\u00f5es sobre os tomadores. A cria\u00e7\u00e3o do cadastro positivo \u00e9 uma das a\u00e7\u00f5es dentro dessa agenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra frente, o BC adotou uma abordagem pr\u00f3-inova\u00e7\u00e3o no sistema financeiro. Fintechs t\u00eam conseguido autoriza\u00e7\u00e3o de funcionamento com alguma celeridade e recentemente foi introduzida uma novidade no sistema, as sociedades de empr\u00e9stimo entre pessoas. Tamb\u00e9m \u00e9 importante que tanto o BC quanto o Cade avaliem melhor opera\u00e7\u00f5es de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es \u2013 um exemplo nessa linha est\u00e1 nas condi\u00e7\u00f5es impostas para a aquisi\u00e7\u00e3o de parte da XP pelo Ita\u00fa no ano passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dados do BC, que refor\u00e7am seu argumento, mostram que os bancos brasileiros ainda t\u00eam retornos sobre o patrim\u00f4nio substancialmente mais elevados do que em pa\u00edses desenvolvidos, mas em linha com outros emergentes. Aqui, a rentabilidade (ROE) foi de 14,7% no ano passado. Como compara\u00e7\u00e3o, h\u00e1 emergentes com rentabilidade pr\u00f3xima (Indon\u00e9sia com 16,7% e China com 13,7%) e pa\u00edses desenvolvidos com n\u00fameros muito menores (Alemanha com 6,3% e Estados Unidos com 3,7%).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o consumidor, servi\u00e7os mais baratos dependem de uma matura\u00e7\u00e3o do mercado, com redu\u00e7\u00e3o de riscos para o sistema financeiro (o que leva a retornos menores sobre o patrim\u00f4nio), melhorias institucionais e, sim, maior competi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Gazeta do Povo \/ CONTEC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p class=\"excerpt\">A taxa b\u00e1sica de juros, a Selic, caiu ao menor n\u00edvel da hist\u00f3ria na semana passada \u2013 \u00e9 agora de 5,5% ao ano. E deve cair mais, podendo fechar 2019 abaixo de 5%. Temos hoje a menor taxa real de juros desde o in\u00edcio do Plano Real, pelo menos. \u00c9 uma redu\u00e7\u00e3o suficiente para provar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10833,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-10832","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10832"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10832\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sjcbancarios.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}